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Kidulting: a tendência que une nostalgia, experiência real e oportunidades de negócio

Hoje me deparei pela primeira vez com o termo kidulting, uma junção de kid (criança) e adult (adulto). Quem trouxe essa reflexão foi o Gary Vaynerchuk, um influenciador que acompanho bastante aqui no LinkedIn. Achei o conceito poderoso e extremamente atual.

O kidulting não é sobre adultos que se recusam a crescer, que vivem de forma infantilizada ou irresponsável. É sobre adultos que, de forma saudável, resgatam memórias afetivas da infância, revivem experiências que marcaram suas histórias e se reconectam com a sua criança interior. Sabe aquele videogame clássico? O Atari com jogos como Pac-Man e Enduro? Pois é. Tem muita gente adulta jogando e está tudo bem. Mais do que isso, é uma forma gostosa de reviver o passado, especialmente para quem cresceu nas décadas de 70, 80 e 90.


Vivemos um momento de revolução tecnológica, com a inteligência artificial dominando as pautas. O ambiente digital está em um hype absurdo, e isso é inegável. Mas, em meio a tanta imersão virtual, o mundo offline começa a se destacar justamente pelo contraste: ele também está sendo cada vez mais valorizado, cobiçado e consumido. A experiência real, vivida "ao vivo e a cores", é algo que a tecnologia ainda não consegue replicar completamente. Não importa o quão avançado seja um óculos de realidade virtual, a sensação de estar presente fisicamente, de tocar, cheirar, sentir o ambiente, é totalmente diferente e insubstituível.


É aí que mora uma grande oportunidade. Enquanto o digital oferece escala e alcance, o offline oferece profundidade e conexão emocional. E quando falamos de kidulting, falamos exatamente disso: proporcionar experiências reais que toquem a memória afetiva das pessoas, que despertem sentimentos adormecidos e que tragam de volta, nem que por alguns instantes, a magia da infância.


Eu mesmo estou quase chegando aos 50 anos e constantemente revisito a minha infância através da comida. Tem uma pasta de amendoim que fez parte da minha história nos anos 80. Naquela época, meus pais não tinham muitos recursos, então consumir aquele produto era algo raro, reservado para ocasiões especiais. Isso fez com que cada colherada fosse degustada de forma quase solene, criando uma memória afetiva fortíssima. Hoje, quando experimento novamente, é como se eu voltasse no tempo. Essa é a essência do kidulting: ressignificar memórias e transformá-las em experiências.


E aqui vai uma reflexão importante para quem trabalha com negócios, marketing ou inovação: o kidulting é uma tendência real e extremamente lucrativa. Adultos entre 40 e 60 anos, com poder aquisitivo e disposição para investir em experiências nostálgicas, são um público sedento por produtos e serviços que deem a eles a "permissão" para sentir novamente os prazeres da infância. Estou falando de colecionadores, de pessoas que frequentam feiras de vinil, que compram réplicas de brinquedos antigos, que pagam caro por uma refeição que reproduz a receita da avó, que frequentam fliperamas retrô ou que viajam para destinos que remetem à cultura pop das décadas passadas.


O digital, claro, tem um papel fundamental nisso tudo: é através dele que conseguimos divulgar, engajar e criar comunidades em torno desses interesses. Mas a experiência transformadora está no offline, no dia a dia, no encontro presencial com o que é real e palpável.


Portanto, fica o convite: olhem com mais atenção para esse fenômeno. Existe um mercado enorme que une nostalgia, experiência sensorial e valor emocional. Empreendedores e profissionais de marketing que souberem criar pontes entre o digital e o físico, oferecendo vivências que resgatem memórias afetivas, têm em mãos uma oportunidade de negócio poderosa, e com um público disposto a investir nesse resgate, muitas vezes sem se preocupar tanto com o preço.


No fim, o kidulting nos lembra que, por mais que o mundo avance, a nossa criança interior segue lá, pronta para ser despertada e, de quebra, ainda movimenta a economia de forma inteligente e cheia de significado.


E você, tem alguma memória afetiva que, quando revive, te transporta para a infância?



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